O texto abaixo foi feito como uma atividade do curso ARTEDUCA - Especialização em Arte, Educação e Novas Tecnologias. Trata-se de um comentário crítico ao texto da Professora Maria de Fátima Guerra Souza, "Estratégias de Ensino e Aprendizagem à Distância" - que eu não encontrei na rede para disponibilizar aqui, mas que é um texto-irmão (bem aparentadinho mesmo) desse texto aqui (que é maravilhoso). Ao final de meu comentário, eu deveria elaborar em um parágrafo o "meu" conceito de Educação à Distância (está lá no fim do post).
“O ensino à distância é um sistema tecnológico de comunicação bidirecional, que pode ser de massa e que substitui a interação pessoal entre professor e aluno na sala de aula, como meio preferencial do ensino, pela ação sistemática e conjunta de diversos recursos didáticos e pelo apoio de uma organização e tutoria que propiciam a aprendizagem autônoma dos estudantes”. (Aretio, 2001).
Impossível não iniciar o comentário a esse trecho sem notar que o autor opta pelo uso da expressão “Ensino À Distância”, em detrimento daquela mais corrente e aceita em nosso idioma e na prática educativa à distância em nosso país, a saber, “Educação À Distância”. Estaria ele versando sobre uma “prática de ensino”, ou melhor, estaria ele buscando direcionar o seu texto especificamente à reflexão acerca dos recursos dos quais podem lançar mão os docentes, sem voltar sua reflexão para a outra extremidade do vetor do processo educativo, o aluno? Fato é que já nas quatro primeiras palavras do texto podemos ver revelado um pensamento que se mascararia sob a trama textual, não fosse nosso conhecimento prévio acerca das questões da Educação à Distância.
Embora Maria de Fátima Guerra Souza minimize essa questão no texto ao qual estamos nos reportando neste estudo, o restante da citação visto a partir desse ponto de vista, isto é, de que o termo “ensino à distância” acaba por atuar no sentido de reforçar a ênfase histórica dada ao papel que tem o professor no processo de ensino/aprendizagem, também nos conduz a aceitação de que, de fato, o pensamento do autor direciona-se para esse caminho, visto que ele enfoca as estratégias organizacionais, tutoriais e recursivas em sua função de agir sobre o aluno, propiciando a ele aprendizagem, reforçando ainda seu caráter sistemático, isto é, metódico, ordenado, intencionalmente direcionado e determinado. Ou seja, embora o autor cite a autonomia do aluno como integrante desse processo, mesmo autônomo esse aluno aparece nesse trecho como um personagem mais coadjuvante do que de fato é o aluno da educação à distância.
Deixando de lado a Análise do Discurso, vamos supor que o autor tenha dado uma pequena escorregadinha em seu rigor acadêmico e estivesse, na verdade, querendo referir-se ao que conhecemos como “educação à distância” quando da elaboração desse texto. Nesse caso, alguns termos muito fortes destacam-se à primeira lida: sistema tecnológico, ação sistemática. O autor não privilegia a questão tecnológica em sua abordagem, embora de fato fique evidente que as tecnologias são o fundamento estrutural desse “sistema bidirecional de ensino”. Ele privilegia, sim, as qualidades estruturais didáticas dessa prática: ela deixa de lado a interação “cara-a-cara” para abrir o processo de ensino(/aprendizagem) a um mundo de possibilidades didáticas (estruturadas, direcionadas) que solicitam o aluno, chamam-no, tornam-no também agente – um agente autônomo.
(Se bem que, caso fizéssemos ao autor essa concessão de interpretar “ensino” como “educação”, também teríamos logo mais de dar-lhe o benefício da dúvida no que se refere ao uso do termo “comunicação” – uma via unívoca, de vai-e-volta, direta e reta, que não sofre a intervenção de ruídos...)
“Educação a Distância é uma forma de ensino que possibilita a auto-aprendizagem, com a mediação de recursos didáticos sistematicamente organizados, apresentados em diferentes suportes de informação, utilizados isoladamente ou combinados, e veiculados pelos diversos meios de comunicação”. (Decreto 2.494, de 10 de fevereiro de 1998).
Já o nosso decreto fala em informação, comunicação, mediação: palavras-chave para definir a forma(-conteúdo) da educação à distância. É, fala dela como uma forma de ensino, mas ok, essa questão já discutimos. Com esses três elementos - “informação”, “comunicação” e “mediação” -organizados, sim, mas talvez não sistematizados (palavra dura) que se faz “educação à distância”. Três elementos caros à Teoria da Complexidade e, também por isso, elementos de jogo: jogar como estar aberto, atento e disponível para o que se apresente a si.
Nesse trecho, as tecnologias não aparecem destacadas como base da prática da Educação à Distância, mas estão implicitamente colocadas como tal. Chama a atenção a ausência da ideia de “construção de conhecimento” em ambas as definições. Pois então que irei utilizá-la na minha definição. Também sinto falta de referências à questão da flexibilização de tempo, espaço e lugar promovidas pela EAD, que constituem um valor fundamental, que lhe atribui a significação social que possui. Essa também vai pra minha lista. Metodologia, ao invés de sistema? É, optarei por essa terminologia. Ah! E por fim falta destacar a questão do... não é protagonismo (esse termo desgastado...) Sim! Da participação do aluno como agente ativo nesse processo. E, por fim, passarei pela colaboração. Logo:
“Educação à distância é uma metodologia de ensino/aprendizagem fundada no uso de tecnologias, especialmente aquelas da informação e da comunicação, que visa à construção de conhecimento por parte de um aprendiz-agente, auxiliado pela mediação de professores e tutores que organizam recursos didáticos de maneira a promover interação colaborativa entre todos os atores desse processo – o que, dadas as características citadas, pode acontecer em espaço, tempo e lugares diversos.” Thaíse Nardim








